domingo, 15 de janeiro de 2012

E foi assim que tudo começou...

Acordei no meio da noite com uma vontade danada de fazer xixi. Não precisei acender a luz, porque é lua cheia e com as cortinas abertas, o quarto estava bem iluminado. Levantei e fui até a porta do meu quarto sem porta, mas quando pus um pé pra fora, um bater de asas me deixou paralisada. Fiquei bem quietinha, esperando pra ver se o morcego ia voltar, ou tinha ido embora pra casinha dele em cima da laje. Ele deve ter ficado lá na cozinha um pouquinho, esperando pra ver se eu ia voltar pra cama. Mas logo voltou, deu de cara comigo de novo, e voou pra cozinha mais uma vez. Não tive outro remédio senão acordar o meu digníssimo marido e pedir socorro. Ele levantou cambaleando, e avisou, sonolento: "Abre a janela, ele vai sair por aqui, não precisa se assustar." Abri a janela e fui sentar na cama, armando-me com um travesseiro, pro caso do morcego errar o caminho. O Leandro encaminhou-se pra cozinha e em um instante o nosso amigo voador passou ruflando asas pelo meio do quarto, e foi embora pela janela aberta. Fui então tranquila ao banheiro, onde o único animal presente era a pererequinha, que subiu correndo pela parede quando me viu. Mas com ela eu já me acostumei. Com os inquilinos alados de cima da laje acho que ainda vai levar um tempo.
Voltei pra cama ouvindo o cantar de mil grilos e pensando quando foi que minha vida deu essa guinada. Quem diria que a menina medrosa e chorona, nascida e criada em área urbana, um dia ia aceitar a possibilidade... não, ia escolher a possibilidade de trocar a casa grande, segura e confortável na cidade por uma casinha na roça onde o quarto de dormir é também a selaria... Isso definitivamente não estava nos meus planos alguns anos atrás... Tudo o que eu queria era fazer mestrado, crescer na minha carreira, ter filhos, reformar a casa, viajar pra lugares bonitos, ter um bom carro, lindas roupas e sapatos elegantes. E de repente me vejo calçada com minhas surradas botas de montaria, chapéu de palha na cabeça, andando de fusquinha azul por estradas de terra barrentas, pra chegar numa casinha verde simplesinha, que nem é minha, abrindo a porteira pra entrar, em vez do portão eletrônico E muito, muito mais feliz do que era antes. Mas como foi que isso aconteceu? Quando é que essa loucura rural tomou conta de mim? E a maior dúvida: Onde é que tudo isso vai parar? Será que minha mãe está certa e eu preciso ser "interditada"? Será que a Priscila está certa e eu vou acabar passando fome?
Então... são muitas dúvidas e pra tentar respondê-las, ou, se não conseguir respondê-las, pelo menos conviver melhor com elas, resolvi fazer o blog. Sempre que vou explicar alguma coisa pros meus alunos, pego um papel e uma caneta e começo a fazer esquemas, desenhos, anotar palavras-chave. Falo que penso melhor escrevendo. Então é isso que vou fazer aqui. Vou pensar escrevendo, escrever pensando, ou melhor, "matutando", pra combinar melhor! Quem quiser me acompanhar nessa jornada, será bem-vindo, pra me apoiar, me aconselhar, rir e chorar comigo, me chamar de doida também se quiser, que já estou ficando acostumada, nem acho ruim mais.
E já que estou tentando responder questões, vou fazer um trabalho investigativo começando do início. Vou tentar contar como tudo começou. Mas isso fica pra próxima postagem. Aliás, acho que vai levar várias postagens, porque é uma longa história. Mas não tem problema, na roça não se pode ter muita pressa! Até a próxima!

Um comentário:

  1. Vou acompanhar essa interessnte história. Agora você terá o compromisso de fornecer todos os episódios. Talvez me ensine o "caminho das pedras" para algumas indagações em comum.
    Boa sorte!

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