terça-feira, 28 de agosto de 2012

It's not about the money

John Steinbeck, chamado o mais americano de todos os escritores, criou um sábio e apaixonante personagem chinês chamado Lee, que acho que foi meio que inspirado em Jesus Cristo. Dessa releitura da história de Caim e Abel, que é o romance A leste do Éden, pesquei esse fragmento (ou fui pescada por ele!) que é um pensamento de Lee, e que ficou martelando na minha cabeça essa semana:

"Pensou em Sam Hamilton. Havia batido em tantas portas. Possuía tantos projetos e planos e nenhum lhe dera qualquer dinheiro. Mas, naturalmente, ele possuía tanto, era tão rico. Não era possível dar a ele mais do que já tinha. Riquezas parecem favorecer os pobres de espírito, os pobres de interesse e alegria. Na verdade, os ricos são um pobre bando de filhos-da-mãe. Ficou pensando se isso seria verdade. Eles agiam como se o fossem certas vezes."

Às vezes sou assaltada por uma terrível falta de paciência para esperar a realização dos meus sonhos e projetos. E fico pensando que se pelo menos tivéssemos mais dinheiro... tudo seria bem mais fácil. Nossos sonhos, meus e do Leandro, não são nem tão caros nem tão complicados assim, mas de todo jeito têm um custo. Junta-se a essa falta de paciência uma revolta com o fato de que eu e ele trabalhamos muito, em atividades de alta responsabilidade, estressantes, e com remuneração que considero injusta. E pra completar, ainda vejo gente burra e incompetente e, pior de tudo, gente ruim, maldosa mesmo, recebendo ótimas oportunidades e se dando bem profissionalmente.

Mas aí penso no quanto a gente já é feliz. Se nessa fase de planejamento e incertezas já temos tantas alegrias, imagine nos tempos que virão. E, riqueza por riqueza, prefiro a riqueza da nossa união, da nossa cumplicidade, de ter um marido inteligente, que sabe entender meus olhares e decifrar meus mistérios, que é divertido, palhaço quando preciso rir, sério quando preciso de um ombro pra chorar, generoso de verdade, que ama trabalhar, que ama se divertir, que sonha, que paga o preço e assume a responsabilidade dos seus projetos, que tem uma honestidade férrea, que honra suas amizades, que honra nosso casamento. É verdade... somos tão ricos... de espírito, de interesse e alegria. E com as dificuldades temos crescido e aprendido. Os planos são mais cuidadosos, mais meticulosos, quando não se tem muito dinheiro. E a alegria da conquista será maior.

E quanto aos ricos de dinheiro apenas, esse pobre, pobre bando de filhos-da-mãe, que se consolem com o seu dinheiro e o aproveitem bem. We don't need your money!
 


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