domingo, 9 de setembro de 2012

É só comédia

Eu tento. Eu juro que tento escrever coisas sérias nesse blog. Não tenho culpa se as palhaçadas teimam em continuar acontecendo. Visualizem a seguinte sequência e vejam se eu não era obrigada a relatar essa comédia:
Franco e Regina voltam pra casa depois de uma visita à casinha verde. Regina em seu inseparável Raio de Luz. Franco em um Quarto de Milha chamado Lorde, que ele está amansando. Belinha saltitando atrás. Param pra abrir um colchete, pouco antes de chegar ao vau do rio Uberaba. Franco apeia, porque o colchete está amarrado com arame e porque o cavalo ainda não sabe encostar. Aberto o colchete, Regina, Raio e Belinha passam e ficam esperando do outro lado. Franco tenta refazer a amarra, segurando o arame com uma mão e o cabresto do Lorde com a outra. Depois de alguns instantes, Regina ouve o trote do Lorde se aproximando e toca pra frente no Raio. Ao chegar à beira do rio, uns duzentos metros à frente, Raio para pra beber água. Lorde para do lado. Regina, distraída olhando a paisagem, começa a conversar sobre as tarefas que eles ainda têm que realizar no sítio: “Então, Franco, lembra que assim que a gente chegar tem que buscar silo pros cavalos, antes de escurecer. Você me ajuda a tratar dos gatos? Ah, e tem que ver se os filhotes da Pretinha estão bem... Franco? Você ta me ouvindo?” Na ausência de resposta, ela resolve olhar pro lado e se depara com o Lorde bem satisfeito, bebendo água, sem cavaleiro nenhum na sela. “FRANCO!!!! Franco, cadê vocêêê???” Assustado com os berros dela, o Raio atravessa o rio em disparada. Lorde e Belinha vão atrás, aos pulos, espirrando água pra todo lado. Chegando à outra margem, ela consegue a custo controlar o cavalo e olha pra trás bem a tempo de ver o Franco descendo o barranco, a pé, furioso e coberto de lama, por entre as moitas de bambu. “Maria Regina! O que você ta fazendo aí do outro lado?” Ele grita, sem dar tempo pra ela começar a rir ou se lembrar de descontar as vezes em que pediu pra ele ajudar a pegar o Raio e ele recusou dizendo que quem perde o cavalo é que tem que ir atrás. “Passa já pra cá com esses cavalos, Maria Regina!” Esclarecendo: enquanto Franco tentava amarrar o colchete e segurar o cabresto ao mesmo tempo, Lorde resolveu que não queria esperar mais e deu um tranco no cabresto. Franco foi então lançado ao chão lindamente coberto de lama e esterco molhado. Foi arrastado por alguns metros, até resolver largar o cabresto. Levantou-se meio tonto e viu Regina, Raio, Lorde, a turma toda, já longe, galopando pelo caminho. Gritou, chamou, xingou de santo e rapadura, e por fim resolveu seguir a pé, atrás. Ao ver aquele ser enlameado e enraivecido, Regina voltou pelo rio pra buscá-lo, levando junto o Lorde. Só não abriu mão das risadas, que duraram quase todo o caminho de volta.
Mas vocês acham que acabou a palhaçada? Não! Ainda tem o caso das abelhas assassinas. No dia sete de setembro aconteceu a famosa cavalgada de Santa Rosa, da qual não pude participar devido a um problema de costela quebrada do Leandro, sobre o qual ainda não consigo contar muita coisa, porque minha raiva ainda não passou totalmente. Enfim, cá estava eu, cuidando de minha linda horta, plantando mudinhas de alface e acelga, com a ajuda da Marizote, quando ouço gritos, tropel de cavalos e risadas e penso: “É o povo chegando da cavalgada.” Antes que eu tivesse tempo de tirar as luvas e o chapelão de palha, pra ir receber o pessoal, ouço o Leandro gritando, estourando de rir: “Amor! Amor, vem cá dar uma olhada no Neto!” Levanto e vejo, por cima da cerca da horta, o Neto. Quer dizer, o corpo, as roupas eram do Neto, mas a cara... O olho direito estava fechado e do tamanho de uma laranja, sem exagero, de tão inchado. A boca... parecia que ele tinha injetado meio litro de silicone no lábio inferior! Estava todo torto, todo inchado! Nunca vi nada parecido. “Meu Deus! O que foi isso?” perguntei. E ele, articulando com dificuldade as palavras: “Abeia...” Aí chega o Franco, morrendo de rir, apeia do cavalo e abraça o Neto: “Você também ta japanese, meu filho?” Olho e vejo que a cara do Franco também está parecendo um quadro de Botero.  O olho direito é só um risquinho . Mais uma vez esclarecendo: no meio da cavalgada, a turma passa pertinho de uma colméia de abelhas Europa, na margem do rio. As abelhas vêem passar um, dois, dez cavaleiros, e vão ficando alvoroçadas. Passam vinte, trinta, o barulho aumenta, alguém grita, um cavalo relincha e as abelhinhas cada vez mais estressadas com aquela perturbação de sua paz. Em certo momento, lá pelo centésimo cavaleiro, elas resolvem que já é muito desaforo e partem para o ataque, formando uma nuvem zumbidora que circula ao redor das cabeças dos cavalos e cavaleiros que ainda estão por ali. Teve gente que saiu correndo, gente que pulou direto de cima da sela pra dentro do rio, sem se importar com o fato de que a profundidade ali é de no máximo um metro de água, e ficou boiando de bunda pra cima. Teve gente, cujo nome não posso citar, que levou tanto susto com as picadas que saiu galopando e peidando sonora e incessantemente, o que colaborou para o pânico generalizado, apesar do argumento de que os gases expelidos eram para espantar as abelhas. Bom, Neto e Franco já estavam lá na frente, a salvo do ataque, quando viram que suas respectivas amadas Fabiana e Regina ainda não tinham atravessado o rio e vinham bem devagarzinho, montadas na quase patologicamente calma Flor-de-lis e na extremamente grávida Kiara (dessa vez o Raio ficou descansando). Imediatamente os dois heróicos cavaleiros voltaram à toda para salvar as donzelas indefesas e entraram na nuvem de abelhas. O engraçado (Neto e Franco não acharam muita graça, é verdade) é que as meninas não foram atacadas. Regina levou só uma picada e Fabiana, nenhuma! Já os dois heróis... O pior é que, no meio do mato, sem um antialérgico nem um analgésico pra tomar, o único remédio à mão pra aliviar a dor das picadas era uma garrafa de pinga “Lenda do Chapadão” que o Franco tinha levado. Resultado: a dor passou, da pinga restou só a lenda, e os dois chegaram aqui um tanto quanto alterados. Segue o que consegui transcrever do diálogo filosófico que os dois travaram, largados na varanda:
Neto: Cara, minha garganta ta esquisita...
Franco: Não se preocupa não... Se precisar pode deixar que eu abro sua traquéia. Se tem uma coisa que eu sei fazer é traqueostomia. (Aqui Franco tira da bainha de couro sua reluzente faca de trinta centímetros de lâmina.)
Neto: FABIANA! Vamos embora?
Franco: Essa faca ta suja. (Limpa a lâmina na calça.) Pronto. Agora ta no jeito pra cirurgia.
Neto: Fabiana... Me leva embora, pelo amor de Deus.
Franco: Véi! Eu to japanese!
Neto: Eu não to bem não. Tô com uma sede esquisita que não passa.
Franco: Mas isso é da pinga, meu fio, é a ressaca. Não tem nada a ver com as abelhas não. Eu tô japanese, moço! Metade pêto, metade japanese! Há, há, há!
Neto: Cara, quem vai dirigir pra levar a gente embora?
Franco: Eu, uai!
Neto: Nesse estado? E se pára numa blitz?
Franco: Se o guarda me parar, cara, eu falo pra ele, eu explico: Seu guarda, eu estudei oito anos da minha vida no Colégio Tiradentes! CT... CN... CTPM! Colégio Tiradentes da Polícia Militar, véi! Eu sei dos meus direitos, dos meus defeitos, dos meus deveres... Moço, tô japanese! Olha aqui meu olhinho, não abre não! Há, há, há!
Neto: Cara, eu preciso comer alguma coisa, nem que seja feno... Fabiana, arruma uma janta pra mim? Eu tô assim por sua causa. Eu fui te salvar... E você lá de boa, no meio das abelhas...
Franco: Neto! ‘Cê ta japanese, meu fio! Nós dois japanese! Mas o meu olho já ta desinchando. É que eu bebi mais pinga. ‘Cê tem que beber mais um pouco, pro álcool diluir o veneno.
Neto: ....... (Dormiu com a testa apoiada na mesa).
Detalhe: o diálogo era constantemente interrompido pelo Leandro: “Gente, pára de me fazer rir! Não agüento mais! Minha costela ta me matando!”
 Não se preocupem. No final das contas o Franco não foi embora dirigindo. Até porque ele estava a cavalo. Mas de qualquer forma ele e a Regina dormiram na casinha verde e foram embora de manhã. Fabiana levou o Neto pra casa. Eu não dormi direito, porque o Lorde e a Kiara ficaram passeando embaixo da minha janela e fazendo barulho a noite inteira. Às cinco da manhã, a Frida começou a ganir pra eu abrir a porta pra ela ir fazer xixi lá fora. E assim termina esse emocionante feriado. Cansada de tanta palhaçada, encerro aqui este post, com a certeza de que, se o riso for realmente terapêutico, estaremos todos saudáveis pelos próximos dez anos. Inté!

6 comentários:

  1. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk morri de rir só de ler... fico imaginando a cenaaa rsrsrs meu Deus qto episódio!!!! rsrsrs

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  2. Roberta, essa família é engraçada demais, vou fazer o que? Kkkkkk! Que legal saber que você está lendo! Um beijo!

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  3. Giselle, esse post foi um dos melhores... Quase morri de tanto rir...

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  4. Obrigada, Markim! Quem precisa de inspiração quando a realidade já é uma comédia, né? Ainda bem que rir faz bem. Abraço!

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  5. SÁ DE DEUS!! A UNICA PARTE QUE EU LEMBRO DESSE ACONTECIMENTO foi: "...dormiram na casinha verde e foram embora de manhã.". CONCLUI-SE QUE:
    - UMA PICADA DE ABELHA NÃO CAUSA MAL ALGUM AO "CORPO HUMANO". DUAS TAMBÉM NÃO. E NEM TRÊS... . MAAAS, ACIMA DE 45 PICADAS CAUSA SÉRIOS PROBLEMAS DE MEMÓRIA E INCHA SÓ O OLHO DIREITO E O BEIÇO DO PEÃO.
    - JAPONES PRETO EXISTE.

    PS: ESSE FOI MAIS UM ATO DE CORAGEM EM AMOR A MINHA ESPOSA...POR ISSO VOU CASAR SÁBADO. AAAOO B.... CHEROOOSO!

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    1. É isso aí, Franco! Acho que são necessárias mais pesquisas científicas sobre as abelhas: tenho certeza que não se conhecia esse efeito sobre a memória. Ainda bem que o efeito é passageiro e vc tá lembrando do casamento. Estamos todos ansiosos por este casamento, até porque vai virar um post! Vamos filmar vc entrando na igreja ao som de "Esse cara sou eu" do Roberto Carlos, e publicar aqui!

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